A UTOPIA DE ADÃO NO PARAÍSO


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Juan Cruz Cruz,
Departamento de Filosofia da Universidade de Navarra

UTOPIA COMO FIGURA DA ALIENAÇÃO HISTÓRICA

O pensador utópico reserva a si o sentido do juízo final, o conhecimento absoluto do bem e do mal. Cai na armadilha que, segundo a tradição cristã, tendeu o primeiro homem com o primeiro pecado (superficialmente interpretado às vezes como um pecado de concupiscência). Diz o Aquinate: ´O primeiro homem pecou diante de tudo porque pretendeu assemelhar-se a Deus no conhecimento do bem e do mal, no sentido de que, em virtude de sua própria natureza, poderia ser capaz de determinar o que é bom e o que é mal para si mesmo na ordem da ação e quis conhecer previamente quais coisas boas e más lhe aconteceriam no futuro.’ (S. Th.,II-II,q.163,a.2.)
As utopias estritas sempre respondem ao mesmo modelo: querendo libertar o homem da heteronomia, ou seja, da Providência de um Deus pessoal, em nome da autonomia, e vendo que este processo conduz diretamente à anarquia, então incluem o indivíduo na coletividade, na qual seria governado e cuidado. A coletividade usurpa as prerrogativas do divino. A utopia rebaixa a fé completa no absoluto a uma fé completa no não absoluto. A utopia é assim, a figura própria da alienação histórica, pela qual inúmeras gerações sofreram a morte, o desaforo e o despotismo, e não qual somente tem uma “rasa” salvação terrestre a casta privilegiada dos últimos.” (CRUZ, Juan Cruz. Filosofia da História. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2007, p. 193-194)


Fé, História, Filosofia e Literatura

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