DIPLOMACIA DO CAPETA

Lênin, que pretendia “extirpar o cristianismo da face da Terra” dizia que, quando você tirou do adversário a vontade de lutar, já venceu a briga. A regra leninista, usada hoje pelos inimigos dentro da Igreja, converteu-se na técnica da “espiral do silêncio” que trata de extinguir, na alma do adversário, não só sua disposição guerreira, mas até seu mero impulso de dizer umas tímidas palavrinhas contra cardeais, bispos, padres infiéis à Igreja de Nosso Senhor. A maioria dos católicos está dominada psicologicamente.

A ditadura do politicamente correto alastrou-se pelas almas como faísca no fio de cabelo. Tomados pela afetação sentimental, tendo perdido o espírito viril de outros tempos, basta algum católico fazer alguma crítica objetiva ao bom-mocismo diplomático de algum um cardeal, bispo, arcebispo ou padre, que fazem logo beicinho e esperneiam. As demonstrações de bom-mocismo se difundem por toda parte transformando os católicos em geral, no instrumento mais passivo, bocó e inconseqüente dos últimos tempos, e tudo para manter as aparências. A diplomacia é certo, é um jogo de aparências.

O problema é que aqueles que se acostumam a viver de aparências acabam se infectando de um horror sacrossanto à realidade. O mais escandaloso é que, quanto mais exibem bom-mocismo para angariar simpatias daqueles que maltratam a Santa Igreja estando dentro dela, se apressam por fazer juízos temerários sobre católicos sinceros que se recusam a viver numa caverna platônica.

Aceitar novos padrões de conduta é absorver os valores que eles transmitem. O código politicamente correto esmaga o hábito consagrado pela tradição, colocando em seu lugar, um padrão artificial e forçoso de conduta. A acrobacia mental requerida para o fiel adaptar-se a essa mutação súbita traz um dano profundo e dificilmente curável. Estou fora dessa.

O princípio que os inimigos da Igreja estão fazendo contra ela é o princípio da guerra assimétrica. Para surtir efeito, a assimetria se impregna profundamente nos hábitos de julgamento dos fiéis, de modo que estes não percebem a imoralidade intrínseca das cobranças pretensamente morais que fazem a um dos contendores enquanto concede ao outro o benefício da indiferença ou do silêncio cúmplice. Um exemplo é o desnível de tratamento dado aos católicos que não aceitam a ditadura do “politicamente correto”, estes vilipendiados pelos próprios católicos e os que aceitam.

Outro exemplo é o desnível de tratamento dado a Fraternidade São Pio X, sujeita a todas as críticas, e aos movimentos sinistros e confusos aprovados pelo Santo Padre, como o Neocatecumenato. Nada adianta ter um exército valoroso lutando no exterior, se no interior seu povo é vulnerável à chantagem maliciosa de inimigos camuflados em vestais ofendidas.

Do mesmo modo, meia dúzia de críticas feitas a postura de algum membro da hierarquia já aparecem nesses meios católicos afetados como o mais odioso dos abusos. Enquanto a Folia com Cristo com as bênçãos do Arcebispo aparece com algo imaculado, imune a qualquer crítica. A regra usada pelos nossos inimigos é essa: Vale tudo para quem age contra a Igreja. Não dá para entrar nessa, não sou ator.

O normal é o sujeito ter uma reação adequada a cada situação. A reação deve ser proporcional à situação. Como em Eclesiastes, tudo tem o seu tempo determinado, tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. Um dos meus dramas dentro da Igreja, é perceber que muitos católicos não sabem que estamos em tempos de guerra, querem a paz. Não sabem que é tempo de falar, querem calar. Não sabem que é tempo de aborrecer os inimigos, só falam de "amor".

Adversus Haereses


Fé, História, Filosofia e Literatura

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