A SABEDORIA DE PLATÃO


PLATÃO, A REPÚBLICA

“Quem viveu uma vida justa e santa, uma doce esperança o acompanha” (Platão, a República, p.18)

Hesíodo, tentando provar quão fáceis são as sendas do mal: “Fácil é alcançar a maldade, possível é segui-la com a multidão, pois o caminho é plano e ela está bem próxima de nós. Mas diante da virtude, os deuses puseram suores, a estrada é longa e íngreme” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.61)

“Ninguém se basta a si mesmo” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.66)

“Uma criança não sabe distinguir o que é alegórico daquilo que não o é, mas as impressões da infância permanecem indeléveis e imutáveis. Por isso é de máxima importância que sejam contadas às crianças primeiramente as fábulas mais adequadas para conduzi-las a virtude.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.79)

“Ninguém quer ser espontaneamente enganado na parte mais importante de seu ser e sobre as questões fundamentais. Pelo contrário e, sobretudo, naquela parte de si mesmo, o que mais teme é encontrar-se na mentira.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.84)

“Desejo tão somente afirmar que a pior desgraça para todo homem seria permanecer espiritualmente no engano em relação à natureza das coisas e que não há nada de mais desagradável e detestado do que ter e possuir na própria alma a ignorância e a mentira.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.84)

“A divindade não tem motivo algum para mentir” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.85)

“A divindade é simples e verdadeira nos fatos e nas ações, não é mutável e não engana nem com aparições, nem com discursos, nem com o envio de sinais durante a vigília ou o sono.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 85)

“O excesso de riso reflete também uma forte agitação interior” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.90)

“É preciso, contudo, que a verdade se sobreponha a tudo” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.91)

“A perfeição e a imperfeição rítmica acompanham respectivamente um estilo bom ou mau” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.105)

“A falta de graça, a ausência de ritmo e de harmonia são inerentes à vulgaridade da linguagem e do caráter” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.106)

“Não deveríamos, procurar os artistas capazes de seguir os traços do que é belo e nobre?” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 106)

“A educação decisiva é musical, porque o ritmo e a harmonia penetram até o fundo da alma e a tocam da maneira mais vigorosa, infundindo-lhes a elegância” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.106)

“Aquele que possui uma educação musical suficiente pode perceber com grande perspicácia o que é feio ou imperfeito nas obras de arte ou na natureza, indignando-se com razão, ao passo que sabe aprovar com alegria na alma o que é belo, dela se nutrirá e se tornará um homem honesto. Desde jovem, por outro lado, saberá lamentar e odiar justamente o que é feio, mesmo antes de poder motivar racionalmente sua aversão.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.107)

Os poetas devem introduzir nas suas obras a representação dos bons costumes. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 106)

Os artistas não devem introduzir na sua arte a maldade, o desregramento, a mesquinhez, a indecência. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 106)

Os artistas e os poetas devem ser obrigados, a introduzir em suas obras a representação dos bons costumes, para preservar o povo de ser criado no meio de imagens viciadas como se fora no meio de ervas daninhas, colhendo muitas delas, um pouco a cada dia, e delas se nutrindo, contraiam, por fim, uma grande enfermidade na alma. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.106)

A introdução de um novo gênero musical pode pôr tudo a perder. Não se poderia mudar as regras da música sem, ao mesmo tempo, abalar as leis fundamentais do Estado. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 133)

Não há dúvida de que esse tipo de transgressão passa quase sem ser observado, como se fosse um jogo inocente. Insinua-se de modo contínuo e penetra gradualmente nos usos e costumes. Depois, toma vulto e penetra nos acordos privados, dos acordos passa para as leis e para as ordenações do Estado com grande força, até que por último arruína todas as coisas na vida privada e pública. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.133)

Um prazer excessivo perturba a alma não menos que a dor. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 108)

O amor deve ser conforme a razão. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 108)

É necessário que a alma permaneça isenta de todo vício, distante dos maus hábitos, se quiser discernir de modo mais transparente o que é justo, com base em sua própria honestidade. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 115)

Se não participar por nenhum conhecimento nem investigação é inevitável que se torne fraco, surdo e cego, porque entorpecido, desnutrido e escravo de suas sensações. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 118)

O homem que passa a odiar o conhecimento desiste de persuadir os outros com argumentos racionais, e passa a perseguir seus objetivos com violência ferina e selvagem, passando a viver em rude ignorância, destituída de harmonia e elegância. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 118)

“Não é um mal afastar-se da verdade e um bem nela permanecer? E estar na verdade não significa talvez ter opiniões corretas? ” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 120)

Os homens renunciam a uma opinião verdadeira porque são vítimas de roubo, de doença ou agressão. Por vítimas de roubo entendo aqueles que se deixam dissuadir e aqueles que se esquecem. São roubados se suas próprias opiniões pela razão e pelo tempo. Por vítimas de doença são aqueles que mudam de opinião seduzidos pelo prazer ou aterrorizados pelo medo. Por vítimas de agressão entendo aqueles que mudam de opinião pelo pesar ou pela dor. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 121)

Pequenas regras aparentemente irrelevantes: a de que os jovens se calem, como convém, junto aos anciões, ofereçam a esses assento, se levantem para deixar-lhes o lugar, respeitem os pais, sigam os costumes no tocante ao corte de cabelo, aos trajes, ao calçado, no que se relaciona com toda a sua aparência. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 134)

O direcionamento impresso pela cultura determina todos os aspectos da existência porque o semelhante atrai sempre o semelhante. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 134)

Os intemperantes consideram como seu pior inimigo quem lhes fala a verdade. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 135)

“A primeira virtude que se nos depara é a busca da sabedoria” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.137)

“Boas medidas são tomadas não com a ignorância, mas sim com a ciência.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 137)

“A temperança é uma espécie de ordem e de domínio dos desejos e das paixões. Por isso se diz, de maneira estranha, “ser dono de si mesmo”, e outras verdades semelhantes que são outros vestígios da temperança” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.141)

Quando na alma humana, a parte melhor domina a pior, diz-se que o homem é senhor de si mesmo. Quando, porém, por efeito de má educação ou de má companhia, a parte melhor da alma é dominada pela inferior e vencida pela violência da parte pior, o homem em tais condições é dito escravo de si mesmo e privado de temperança. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 141)

Os desejos simples e comedidos são aqueles guiados pela razão como bom senso e intenção correta. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 142)

Comparamos a temperança a uma harmonia. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 142)

A justiça é aquilo que estabelecemos como dever absoluto quando começamos a lançar as bases do Estado. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.144)

“À faculdade racional compete o comando porque é sábia e vigia toda a alma, ao passo que a faculdade emocional deve ser sua fiel aliada” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.155)

“O homem é corajoso quando sua faculdade emocional conserva, por meio das dores e dos prazeres, os preceitos racionais sobre o que há de temer ou não” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.156)

“Engendrar a saúde significa dar uma ordem aos elementos do corpo segundo sua hierarquia natural, enquanto provocar a doença quer dizer instituir semelhante hierarquia de modo não natural. Pela mesma razão, criar a justiça na alma significa estabelecer uma ordem hierárquica natural, enquanto criar a injustiça significa estabelecer uma ordem hierárquica não natural” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.159)

“A virtude é como a saúde, a beleza e o bem estar espiritual, enquanto o vício é doença, deformidade e fraqueza” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.159)

Os bons hábitos conduzem à posse da virtude e os maus hábitos à posse do vício. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 159)

“Quem mata involuntariamente tem menos culpa do que aquele que induz em erro acerca da beleza, da bondade e das leis justas” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 165)

“Devemos tornar sagrados os matrimônios, porquanto esses seriam mais úteis ao Estado” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.175)

Os verdadeiros filósofos são aqueles que se comprazem em contemplar a verdade. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 198)

Quem conhece, conhece alguma coisa. Aquilo que existe completamente é de todos os modos cognoscível, ao passo que aquilo que não existe de modo nenhum, é absolutamente incognoscível. Porque o conhecimento tem por objeto o ser e a incognoscibilidade é a característica do não-ser. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.199-200)

“A ciência se refere por sua natureza ao ser, ao conhecimento daquilo que é o ser” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.200)

“A ciência se refere ao ser, ou seja, conhece o que é” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.201)

“A opinião, capta as aparências” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.201)

“Aquele que contempla cada coisa em sua essência imutável, esse sim tem conhecimento antes que opinião” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.204)

Uns abraçam e amam coisas que são objeto de conhecimento e outros que são objetos de opinião, estes são amantes da opinião antes que filósofos (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.204)

Devem ser chamados de filósofos e não amantes de opinião, mas aqueles que abraçam a essência de cada coisa. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 205)

“Filósofos são aqueles que podem compreender o que é eternamente imutável, ao passo que não o são aqueles que se perdem na multiplicidade das coisas mutáveis” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.207)

Característica do filósofo: a sinceridade e a recusa em admitir uma mentira voluntária, pelo contrário, o ódio por ela e o amor pela verdade. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.208)

“quem ama verdadeiramente o conhecimento deve, desde jovem, desejar a verdade com todas as suas forças” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.209)

Se uma pessoa dirige intensamente os próprios desejos para um só objeto, sabemos que ela deseja como menos intensidade todo o resto, como uma torrente desvairada para uma só direção. Assim, aquele que tiver dirigido os próprios desejos para o conhecimento e para outras atividades intelectuais busca somente o puro prazer da alma e despreza os prazeres físicos, é filósofo realmente e não só na aparência. Um homem de tal caráter é, portanto, moderado e em nada ávido, pois as razoes que levam outros a correr atrás de riquezas sobre ele não exercem influência alguma. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 209)

Para distinguir aquele que é naturalmente filósofo daquele que não é, precisa-se levar em conta o seguinte aspecto: “que sua alma não esconda alguma baixeza porque a mesquinhez espiritual é o pior obstáculo para quem deseja abraçar de modo definitivo a totalidade das coisas humanas e divinas. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.209)

“Observando a alma propensa para a filosofia e aquela que não o é, se poderá constatar se ela é, desde, jovem, justa e branda ou insociável e intratável” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.210)

“Poderíamos afirmar que uma alma destituída de elegância e de harmonia está sempre inclinada aos excessos” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.210)

A verdade pende para a justa medida. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 211)

“Não é fácil que o comportamento melhor seja apreciado por aquele que se comporta de modo exatamente oposto” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.214)

Quem tem a verdade como guia não tem em seu seguimento o coro dos vícios. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 215)

As virtudes pertinentes a natureza filosófica são a coragem, a generosidade, a facilidade de aprender, a boa memória. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.215)

Os falsos filósofos, cometendo erros de todo tipo, difundem o descrédito com relação à filosofia. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 216)

As almas mais dotadas são as que se tornam piores sob a influência de uma má educação. Os grandes crimes e a maldade consumada procedem não de um caráter medíocre, mas de um caráter excelente corrompido pela educação errada. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 217)

“Uma natureza filosófica se tiver educação apropriada, se desenvolverá necessariamente e atingirá o ápice da virtude. Se, for semeada e plantada em terreno inadequado, terá resultado oposto, a menos que um deus a salve.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 217)

“A natureza melhor em condições inapropriadas tem um resultado pior que a natureza medíocre” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 217)

O bom senso necessário não se adquire sem um empenho total. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 220)

As virtudes filosóficas acompanhadas de uma má educação, em certa medida, são responsáveis pelo desvio de vocação. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 220-221)

Os homens que se desinteressam totalmente por alcançar a função vital para qual haviam nascido, deixando de lado a filosofia, passam a viver uma existência inapropriada e falsa. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.221)

Quando indivíduos indignos se aproximam da filosofia sem terem direito, seus pensamentos e opiniões produzem senão sofismas. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 222)

O número dos dignos pretendentes à filosofia é muito restrito, talvez uma natureza bem educada, cuja natureza tenha permanecida fiel a si mesma por falta de corruptores. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 222)

“Uma inspiração divina infunda o amor pela verdadeira filosofia” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.225)

A desconfiança do povo para com a filosofia é provocada pelos intrusos que entraram para criar uma confusão indecente, colocando sempre questões pessoais sem se preocuparem com a dignidade da filosofia. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 226)

“O erro que hoje se comete, que atraiu a infâmia à filosofia, se deve ao fato de que não são pessoas dignas que se culpam dela” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.268)

“O filósofo, que vive próximo do que é ordenado e divino, torna-se, quanto seja possível a um homem, ordenado e divino” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.227)

Quando a alma de volve para aquilo que é iluminado pela verdade e pelo ser, capta plenamente a essência deles. Quando, ao contrário, ela se volve para aquilo que está envolto na escuridão, para aquilo que nasce e morre, ela alimenta somente opiniões, se enfraquece e fica estulta (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.237)

“A respeito das coisas inteligíveis, pode se afirmar que do bem elas recebem não somente o dom de serem conhecidas, mas também a existência e a essência, muito embora o bem não se identifique com a essência, mas por dignidade e poder seja superior também a esta” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 238)

Para os homens encerrados numa caverna, a realidade consistiria somente nas sombras dos objetos. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 243-244)

A inteligência (órgão da compreensão) se deve voltar, com toda a alma, da visão do que nasce à contemplação do ser, e desviá-la de sua direção equivocada e volvê-la para a direção que deve olhar. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 248)

“Nunca seria sequer lógico confiar o Estado aos incultos e aos que ignoram a verdade” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 248)

A verdadeira filosofia é uma conversão espiritual de um dia tenebroso para aquele dia verdadeiro, uma efetiva ascensão para o ser. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 251)

A subida da caverna para o sol é a conversão das sombras para a luz. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.265)

A verdadeira filosofia é a ciência que eleva a alma do devir à verdade do ser. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 251)

A alma é impelida a olhar para o alto a não ser pela ciência do ser invisível. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 261)

O método dialético segue essa direção, relegando as hipóteses, em direção ao próprio princípio para encontrar a própria justificativa, arrancando realmente aos poucos os olhos da alma do atoleiro em que estavam mergulhados e dirigindo-os para o alto. Continuemos designando ‘ciência’ a primeira parte, ‘pensamento discursivo’ a segunda, ‘crença’ a terceira, e ‘conjectura’ a quarta. Estas duas últimas juntas vamos designá-las ‘opinião’, e as duas primeira, ‘pensamento’. A opinião se refere ao devir, o pensamento a essência. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 266-7)

O homem livre nada deve apreender sob coação. O que se faz penetrar à força na alma não há de ficar nela por muito tempo. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 270)

A tirania surge da degeneração da democracia. Assim, da democracia surge a tirania. A ruína da democracia é provocada pelo desejo insaciável da liberdade. Num Estado democrático você irá de ouvir que ela é o bem supremo. Esse desejo insaciável e a indiferença perante todos os outros valores transformam este regime e o preparam para que se instale a tirania. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 300)

Num Estado desses o espírito anárquico chega a penetrar até nas casas das famílias. Quando os pais se acostumam a tolerar tudo nos filhos; quando os filhos deixam de fazer caso das palavras dos pais; quando os mestres se intimidam diante dos seus alunos, e optam por lisonjeá-los, quando, finalmente, os jovens passam as desprezar as leis, porque acima deles mesmos já não reconhecem autoridade em nada e em ninguém; então, alardeando beleza, bate às portas à tirania. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.301)

"Aquele que, ignorando a inteligência e a virtude, está sempre ocupado em banquetes e em prazeres similares, move-se para baixo, ao que parece, e depois volta ao centro e assim fica vagueando por toda a vida, sem nunca olhar nem se projetar para o alto, superando esse limite. Esses indivíduos também não se nutrem da verdadeira realidade nem provam um prazer sólido e puro porque se comportam como os animais que olham sempre para baixo e, curvados para baixo e para a mesa vão se alimentando e copulando." (PLATÃO, A República, Livro IX, X. Ed. Escala, p. 331)

“Por causa da excessiva liberdade a democracia degenera em servidão” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 302)

“A excessiva liberdade quase sempre degenera em servidão” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.302)

Aquele que estiver completamente dominado em seu coração pela tirania de Eros vai passar todo o tempo em festas, prazeres, banquetes e mulheres. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 314)

“Os homens pertencem a três categorias fundamentais: os amantes da sabedoria, os amantes do sucesso e os amantes do lucro” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.324)

Ninguém, a não ser o filósofo, pode sentir o prazer que se tem pela contemplação do ser. E será o único em que a experiência se alia à reflexão. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 326)

O instrumento essencial do filósofo é a razão. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 326)

Ignorando a verdade, os homens se formam idéias erradas sobre muitas coisas. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 329)

Sócrates fala como se fosse um oráculo sobre a vida dos homens. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.331)

“Não se deve ter pelo homem mais respeito que pela verdade” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.341)

“A parte melhor de nós é aquela que quer seguir a razão” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.354)

Maiores recompensas e maiores prêmios são reservados à virtude. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.358)

“Todo o tempo que decorre da infância à velhice é muito pequeno se comparado com a eternidade” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.358)

A injustiça, a intemperança, a covardia, e a ignorância tornam a alma má. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p. 359)

“Forçoso é, pois, reconhecer que para o homem justo, mesmo se reduzido à pobreza, a doenças ou a alguma outra desventura aparente, tudo resultará em bem para ele, que em vida, quer após a morte. Na verdade, a divindade jamais abandona aquele que se esforça em tornar-se justo e semelhante a deus, mediante o exercício da virtude, por quanto isso seja possível ao homem” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.364)

Os maus e injustos fazem como os atletas que correm bem na ida, mas não na volta. De volta, no começo parte com rapidez, mas no fim se tornam alvo de zombaria, abaixam as orelhas e se retiram da corrida sem ter ganho nada. Os verdadeiros corredores, porém, chagam até o término, vencem e conquistam a coroa. (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.364)

“A virtude não tem dono. Cada uma a possuirá mais ou menos, de acordo como for honrada ou menosprezada. A responsabilidade é de quem faz a escolha. A divindade é inocente.” (PLATÃO, A República, Ed. Escala, p.369)

PLATÃO, APOLOGIA DE SÓCRATES

“Uma coisa é verdadeira, esta, que não é possível que ocorra nada de mal a um homem de bem, nem na vida nem na morte, e tudo o que lhe acontece é oriundo da benevolência da divindade.” (PLATÃO, Apologia de Sócrates, col. Os pensadores, p.97)


PLATÃO,CRITON ou do dever

“Não devemos nos preocupar com aquilo que o povo venha a dizer, mas sim pelo que venha a dizer o único que conhece o justo e o injusto e este único juiz é a verdade.” (PLATÃO, Críton, col. Os pensadores, p. 107)


PLATÃO,FÉDON ou da alma

“O homem sábio sempre desejará estar sob a dependência de quem é melhor que ele” (PLATÃO, Fédon, p.123)

“Sócrates: eis a razão de não me causar pena o fato de minha morte; morrer tendo a esperança de que há ainda alguma coisa depois desta vida e de que, segundo a velha tradição, os bons serão mais bem tratados que os maus.” (PLATÃO, Fédon, p.124)

“Os homens ignoram que os verdadeiros filósofos trabalham toda a sua vida na preparação da sua morte e para estar mortos, sendo assim, seria ridículo que, depois de ter perseguido este único fim, sem descanso, retrocedessem e tremessem diante da morte.” (PLATÃO, Fédon, p.125)

“Os verdadeiros filósofos trabalham para se prepararem para morte.” (PLATÃO, Fédon, p.129)

“O objeto de nossos desejos é a verdade.” (PLATÃO, Fédon, p.127)

Aquele que não está puro não pode encontrara pureza. (PLATÃO, Fédon, p.128)

É preciso estar purificado no pensamento para conhecer a verdade. (PLATÃO, Fédon, p.129)

“Um homem que se revolta no momento de sua morte não ama a sabedoria, mas sim seu corpo e esse homem também as riquezas, as honras, ou talvez uma ou outra dessas coisas.” (PLATÃO, Fédon, p. 130)

A temperança consiste em não ser escravo dos desejos, mas sim impor-se a eles e viver com moderação. (PLATÃO, Fédon, p.130)

“A verdadeira virtude é uma purificação de todas as paixões. A temperança, a justiça, a força e a própria sabedoria são purificações” (PLATÃO, Fédon, p.131)

“A sorte das almas boas é melhor e das más, pior.” (PLATÃO, Fédon, p.136)

Os verdadeiros filósofos não se entregam às suas paixões. Não temem a ruína de sua casa nem a pobreza. (PLATÃO, Fédon, p.148)

“O maior de todos os males é odiar a razão e esta misologia tem a mesma origem que a misantropia” (ódio aos homens) (PLATÃO, Fédon, p.156)

O discutidor teimoso, longe de atuar como verdadeiro filósofo, não se preocupa com o aprender a verdade, mas em impor sua opinião a todos que o escutam. (PLATÃO, Fédon, p.158)

Todos os discursos que se baseiam apenas em verossimilhanças são cheios de vaidade e que, se não tem grande cuidado com eles, desorientam e enganam. (PLATÃO, Fédon, p.159-60)

“A única coisa que o homem deve procurar, tanto para ele como para os demais, é o melhor e o mais perfeito” (PLATÃO, Fédon, p.165)

“Há, entretanto – retomou Sócrates -, pelo menos, uma coisa em que seria justo que vós, sim todos vós, refletísseis: se a alma é verdadeiramente imortal, é preciso que zelemos por ela, não apenas durante todo o tempo atual, que chamamos viver, mas durante todo o tempo, pois seria grave perigo não se preocupar com ela. Admitamos que a morte seja tão somente uma total dissolução de tudo. Que sorte admirável estaria então reservada para os maus que se veriam libertos de seu corpo, de sua alma e de sua própria maldade! Mas, na verdade, uma vez tendo sido tornado claro que a alma é imortal, não haverá fuga possível para ela frente a seus males, a não ser que se torne melhor e mais sábia.” (PLATÃO, Fédon, p.178)




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